Declaração de fé

 

 

PREÂMBULO

A Segunda  Igreja Baptista de Lisboa é uma comunidade que tem em Cristo a sua origem e finalidade, vida e razão, alegria e desejo. Participa numa aventura eterna que dá sentido a todas as coisas: Deus chama os seus filhos à salvação através de Jesus, revelado pelo Espírito Santo na fé. Reconhece-se no texto da Bíblia, confiando nas mesmas verdades expressas em documentos históricos como o Credo do Apóstolos e o Credo Niceno, e bebe da Confissão Baptista de 1689 e da Declaração de Chicago Sobre a Inerrância da Bíblia de 1978 para confirmar no tempo humano os propósitos divinos.

 

CONFISSÃO DE FÉ (retirada da Gospel Coalition)

 

1. Deus Triúno

Acreditamos em um Deus, eternamente existente em três Pessoas igualmente divinas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que se conhecem, amam e glorificam mutuamente. Este Deus uno, verdadeiro e vivo é infinitamente perfeito no seu amor e santidade. Ele é o Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis e por isso merece toda a glória e adoração. Imortal e eterno, ele conhece perfeita e exaustivamente o fim do princípio, sustém e reina soberanamente sobre todas as coisas, e providencialmente concretiza os seus bons propósitos eternos para redimir um povo para si mesmo e restaurar a sua criação caída, para o louvor da sua gloriosa graça.

 

2. Revelação

Deus demonstrou graciosamente a sua existência e poder na ordem criada, e revelou-se supremamente aos seres humanos caídos na pessoa do seu Filho, a Palavra encarnada. Mais, este Deus é um Deus que fala, que através do seu Espírito se revelou graciosamente em
linguagem humana: acreditamos que Deus inspirou as palavras preservadas nas Escrituras, os sessenta e seis livros do Velho e do Novo Testamento, que são simultaneamente registo e meio do Seu trabalho salvador no Mundo. Apenas estes escritos constituem a Palavra de Deus verbalmente inspirada, que é totalmente autoridade e sem erro nos escritos originais, completa na sua revelação da vontade de Deus para a salvação, suficiente para tudo o que Deus requer que creiamos e façamos, e final na sua autoridade sobre todo o domínio do
conhecimento do qual fala. Confessamos que ambos, a nossa finitude e o nosso pecado, impedem a possibilidade de conhecer a verdade de Deus exaustivamente, mas afirmamos que, iluminados pelo Espírito de Deus, podemos conhecer verdadeiramente a verdade de Deus
revelada. A Bíblia é para ser crida, como instrução de Deus, em tudo o que ensina; obedecida, como ordem de Deus, em tudo o que requer; e confiada, como juramento de Deus, em tudo o que promete. À medida que o povo de Deus ouve, acredita e pratica a Palavra, eles são equipados como discípulos de Cristo e testemunhas do Evangelho.

 

3. A Criação da Humanidade

Nós acreditamos que Deus criou os seres humanos, macho e fêmea, à sua imagem. Adão e Eva pertenceram à ordem criada que o próprio Deus declarou ser muito boa, servindo de agentes de Deus para cuidar, administrar e governar a criação, vivendo em comunhão santa e dedicada com o seu Criador. Homens e mulheres, igualmente feitos à imagem de Deus, gozam igual acesso a Deus através da fé em Cristo Jesus e são ambos chamados a ir além da auto-indulgência passiva para um envolvimento privado e público na família, na igreja e na vida cívica. Adão e Eva foram criados para se complementarem numa união de uma só carne que estabelece o único padrão normativo de relações sexuais para homens e mulheres, de maneira que o casamento serve em último grau como um modelo da união de Cristo com a sua Igreja. Nos sábios propósitos de Deus, homens e mulheres não são simplesmente substituíveis, mas
antes complementam-se uns aos outros de maneiras mutuamente enriquecedoras. Deus ordena que assumam papeis distintos que reflictam o relacionamento amoroso entre Cristo e a Igreja, o marido exercendo liderança de uma maneira que represente o amor cuidadoso e sacrificial de Cristo, e a mulher submetendo-se ao seu marido de uma maneira que represente o amor da Igreja pelo seu Senhor. No ministério da Igreja, quer os homens quer as mulheres são encorajados a servir Cristo e a serem desenvolvidos em todo o seu potencial nos diversos ministérios do povo de Deus. O papel distinto da liderança dentro da Igreja dado a homens qualificados é fundado na criação, queda e redenção e não deve ser secundarizado por apelos a desenvolvimentos culturais.

 

4. A Queda

Nós acreditamos que Adão, feito à imagem de Deus, distorceu essa imagem e perdeu a sua bênção original - para si próprio e para a sua descendência - caindo em pecado através da tentação de Satanás. Como um resultado, todos os seres humanos estão alienados de Deus, corrompidos em todos os aspectos do seu ser (fisicamente, mentalmente, volitivamente, emocionalmente, espiritualmente) e condenados final e irrevogavelmente à morte - à parte da graciosa intervenção do próprio Deus. A necessidade suprema de todos os seres humanos é estar reconciliado com o Deus de cuja justa ira todos estamos debaixo; a única esperança de todos os seres humanos é o amor imerecido deste mesmo Deus, que sozinho consegue resgatar-nos e restaurar-nos para si mesmo.

 

5. O Plano de Deus

Nós acreditamos que desde toda a eternidade Deus determinou em graça salvar uma grande multidão de pecadores culpados de todas as tribos e linguagens e gentes e nações, e que para este fim conheceu-os antes e escolheu-os. Nós acreditamos que Deus justifica e santifica aqueles que pela graça têm fé em Jesus, e que um dia ele glorificará para o louvor da sua gloriosa graça. Em amor Deus manda e implora a todas as pessoas que se arrependam e acreditem, tendo estabelecido o seu amor salvador naqueles que ele escolheu e tendo ordenado Cristo para ser o seu Redentor.

 

6. O Evangelho

Nós acreditamos que o Evangelho é as boas notícias de Jesus Cristo - a própria sabedoria de Deus. Loucura completa para o mundo, mesmo sendo o poder de Deus para aqueles que estão a ser salvos, esta boa notícia é cristológica, centrada na cruz e na ressurreição: o evangelho não é proclamado se Cristo não é proclamado, e o autêntico Cristo não foi proclamado se a sua morte e ressurreição não são centrais (a mensagem é: "Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou"). Estas boas notícias são bíblicas (a sua morte e ressurreição são de acordo com as Escrituras), teológicas e salvíficas (Cristo morreu pelos nossos pecados para nos reconciliar com Deus), históricas (se os acontecimentos salvíficos não aconteceram a nossa fé é vã, ainda permanecemos nos nossos pecados, e somos os mais miseráveis de todos), apostólicas (a mensagem foi confiada a e transmitida pelos apóstolos, que foram testemunhas destes acontecimentos salvíficos), e intensamente pessoais (onde são recebidas, cridas e sustentadas firmemente, pessoas individuais são salvas).

 

7. A Redenção de Cristo

Nós acreditamos que, movido por amor e em obediência ao seu Pai, o Filho eterno tornou-se humano: o Verbo fez-se carne, inteiramente Deus e inteiramente ser humano, uma Pessoa em duas naturezas. O homem Jesus, o Messias prometido de Israel, foi concebido através da agência miraculosa do Espírito Santo, e nasceu da Virgem Maria. Ele obedeceu perfeitamente ao seu Pai celestial. Viveu uma vida sem pecado, operou sinais miraculosos, foi crucificado sob Pôncio Pilatos, ressurgiu fisicamente dos mortos ao terceiro dia, e ascendeu ao céu. Como Rei mediatório, ele está sentado à direita de Deus Pai, exercendo no céu e na terra toda a soberania de Deus, e é o nosso Sumo Sacerdote e justo Advogado. Acreditamos que através da sua encarnação, vida, morte, ressurreição, e ascensão, Jesus agiu como nosso representante e substituto. Ele fez isto para que nele possamos tornar-nos na justiça de Deus: na cruz ele cancelou o pecado, propiciou Deus, e, através de ter suportado a penalidade completa de todo os nossos pecados, reconciliou para Deus todos aqueles que crêem. Através da sua ressurreição Cristo Jesus foi vindicado pelo seu Pai, quebrou o poder da morte e derrotou Satanás que outrora teve poder sobre ela, e trouxe vida sem-fim a todo o seu povo; através da sua ascensão ele foi exaltado para sempre como Senhor e preparou um lugar para nós para estarmos com ele. Nós acreditamos que a salvação é encontrada em nenhum outro, porque não há nenhum outro nome dado debaixo do céu pelo qual devamos ser salvos. Porque Deus escolheu as coisas menores deste mundo, as coisas desprezadas, as coisas que não são, para anular as coisas que são, nenhum ser humano pode em vez alguma gloriar-se diante dele - Cristo Jesus tornou-se a sabedoria de Deus para nós - isto é, a nossa justiça, santidade, e redenção.

 

8. A Justificação de Pecadores

Nós acreditamos que Cristo, pela sua obediência e morte, exonerou completamente a dívida daqueles que são justificados. Através do seu sacrifício, ele suportou para nosso proveito o castigo que nos era devido pelos nossos pecados, concretizando uma satisfação própria, real e completa para a justiça de Deus em nosso favor. Através da sua obediência perfeita ele satisfez as exigências justas de Deus em nosso favor, uma vez que apenas pela fé essa obediência perfeita é creditada a todos os que confiem somente em Jesus para a sua aceitação com Deus. Na medida em que Cristo foi dado pelo Pai a nós, e a sua obediência e castigo foram aceites no lugar dos nossos, livremente e não por algo em nós, esta justificação é somente de graça livre, de maneira a que ambas a justiça exacta e a rica graça de Deus possam ser glorificadas na justificação de pecadores. Nós acreditamos que um zelo pela obediência pessoal e pública flui desta justificação livre.

 

9. O Poder do Espírito Santo

Nós acreditamos que esta salvação, atestada em todas as Escrituras e garantida por Jesus Cristo, é aplicada ao seu povo pelo Espírito Santo. Enviado pelo Pai e o Filho, o Espírito Santo glorifica o Senhor Jesus Cristo, e, como o outro Paracleto, está presente com e dentro dos crentes. Ele convence o mundo do pecado, justiça, e julgamento, e através do seu trabalho poderoso e misterioso regenera espiritualmente pecadores mortos, acordando-os para o arrependimento e fé, e nele são baptizados numa união com o Senhor Jesus, de modo que são justificados diante de Deus somente pela graça através somente pela fé somente em Jesus Cristo. Pela agência do Espírito, os crentes são renovados, santificados, e adoptados na família de Deus; eles participam na natureza divina e recebem os seus dons distribuídos soberanamente. O Espírito Santo é ele mesmo o pagamento inicial da herança prometida, e nesta era habita, guia, instrui, equipa, aviva, e autoriza os crentes à vida e serviço à semelhança de Cristo.

 

10. O Reino de Deus

Nós acreditamos que aqueles que foram salvos pela graça de Deus através da união com Cristo pela fé e através da regeneração pelo Espírito Santo entram no reino de Deus e deleitam-se nas bênçãos da nova aliança: o perdão dos pecados, a transformação interior que acorda um desejo para glorificar, confiar, e obedecer a Deus, e a perspectiva da glória ainda por ser revelada. As boas obras constituem uma evidência indispensável da graça salvadora. Vivendo como sal num mundo que se corrompe e luz num mundo que é escuro, os crentes não devem retirar-se para isolamento do mundo, nem tornar-se indistinguíveis dele: antes, nós existimos para fazer bem à cidade, pois toda a glória e honra das nações é para ser oferecida ao Deus vivo. Reconhecendo de quem esta ordem criada é, e porque somos cidadãos do reino de Deus, nós existimos para amar os nossos próximos como a nós mesmos, fazendo bem a todos, especialmente àqueles que pertencem à família de Deus. O reino de Deus, já presente mas não inteiramente cumprido, é o exercício da soberania de Deus no mundo em direcção à redenção final de toda a criação. O reino de Deus é um poder invasivo que saqueia o reino das trevas de Satanás e regenera e renova através do arrependimento e da fé as vidas dos indivíduos resgatados desse reino. Ele inevitavelmente estabelece uma nova comunidade de vida humana unida sob Deus.

 

11. O Novo Povo de Deus

Nós acreditamos que o povo da nova aliança de Deus já veio até à Jerusalém celestial; eles já estão sentados com Cristo nos lugares celestiais. Esta igreja universal é manifesta nas igrejas locais das quais Cristo é a única Cabeça; portanto cada "igreja local" é, de facto, a igreja, a casa de Deus, a assembleia do Deus vivo, e o pilar e fundamento da verdade. A igreja é o corpo de Cristo, a menina dos seus olhos, a escultura das suas mãos, e ele prometeu-se a ela para sempre. A igreja é distinguida pela sua mensagem do evangelho, suas ordenanças sagradas, sua disciplina, sua grande missão, e, acima de tudo, pelo seu amor por Deus, e pelo amor dos seus membros uns pelos outros e pelo mundo. Crucialmente, este evangelho que acarinhamos tem dimensões pessoais e corporativas, nenhuma das quais deve ser negligenciada. Cristo Jesus é a nossa paz: ele não só trouxe paz com Deus, mas também paz entre povos alheados. O seu propósito era criar em si uma nova humanidade, assim fazendo paz, e num só corpo reconciliar quer Judeus quer Gentios através da cruz, pela qual ele condena à morte a sua hostilidade. A igreja serve como um sinal do futuro novo mundo de Deus quando os seus membros vivem para o serviço uns dos outros e dos seus próximos, em vez de para o seu interesse-próprio. A igreja é o lugar corporativo onde habita o Espírito de Deus, e o testemunho contínuo de Deus no mundo.

 

12. O Baptismo e a Ceia do Senhor

Nós acreditamos que o baptismo e a ceia do Senhor são ordenados pelo próprio Senhor Jesus. O primeiro está ligado à entrada na comunidade da nova aliança, a última com a renovação contínua da aliança. Juntos são simultaneamente o juramento de Deus a nós, meios de graça divinamente ordenados, os nossos votos públicos de submissão ao outrora crucificado e agora ressurrecto Cristo, e antecipações do seu retorno e da consumação de todas as coisas.

 

13. A Restauração de Todas as Coisas

Nós acreditamos no regresso pessoal, glorioso, e físico do nosso Senhor Jesus Cristo com os seus santos anjos, quando ele exercerá o seu papel como Juiz final, e o seu reino será consumado. Nós acreditamos na ressurreição corpórea de ambos os justos e os injustos - os injustos para o julgamento e castigo consciente eterno, como o próprio nosso Senhor ensinou, e os justos para a bem-aventurança eterna na presença daquele que se senta no trono e do Cordeiro, nos novos céus e na nova terra, o lar da justiça. Naquele dia a igreja será apresentada sem culpa diante de Deus pela obediência, sofrimento e triunfo de Cristo, todo o pecado purgado e os seus efeitos miseráveis banidos para sempre. Deus será tudo em todos e o seu povo estará maravilhado pela iminência da sua inefável santidade, e tudo será para o louvor da sua gloriosa graça.

 

COMPROMISSO DENOMINACIONAL BAPTISTA:

1. Com o culto corporativo e individual centrado na Bíblia.

2. Com a autoridade de Cristo sobre a Igreja.

3. Com o exercício dos dois ofícios bíblicos: o Pastorado (ou Presbitério) e a Diaconia.

4. Com a manutenção das ordenanças: o Baptismo (de crentes por imersão em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo) e a Ceia do Senhor (aberta a membros em união com uma igreja evangélica local).

5. Com o sacerdócio universal de todos os cristãos.

6. Com uma membrazia de crentes regenerados.

7. Com o princípio de autonomia da igreja local.

8. Com a separação entre Igreja e Estado.

 

PACTO DAS IGREJAS BAPTISTAS

Tendo sido levados pelo Espírito Santo a aceitar a Jesus Cristo como único e suficiente Salvador, e batizados, sob profissão de fé, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, decidimo-nos, unânimes, como um corpo em Cristo, firmar, solene e alegremente, na presença de Deus e desta congregação, o seguinte Pacto:

Comprometemo-nos a, auxiliados pelo Espírito Santo, andar sempre unidos no amor cristão; trabalhar para que esta igreja cresça no conhecimento da Palavra, na santidade, no conforto mútuo e na espiritualidade; manter os seus cultos, suas doutrinas, suas ordenanças e sua disciplina; contribuir liberalmente para o sustento do ministério, para as despesas da igreja, para o auxílio dos pobres e para a propagação do evangelho em todas as nações.

Comprometemo-nos, também, a manter uma devoção particular; a evitar e condenar todos os vícios; a educar religiosamente nossos filhos; a procurar a salvação de todo o mundo, a começar pelos nossos parentes, amigos e conhecidos; a ser corretos em nossas transações, fiéis em nossos compromissos, exemplares em nossa conduta e ser diligentes nos trabalhos seculares; evitar a detração, a difamação e a ira, sempre e em tudo visando à expansão do reino do nosso Salvador.

Além disso, comprometemo-nos a ter cuidado uns dos outros; a lembrarmo-nos uns dos outros nas orações; ajudar mutuamente nas enfermidades e necessidades; cultivar relações francas e a delicadeza no trato; estar prontos a perdoar as ofensas, buscando, quando possível, a paz com todos os homens.

Finalmente, nos comprometemos a, quando sairmos desta localidade para outra, nos unirmos a uma outra igreja da mesma fé e ordem, em que possamos observar os princípios da Palavra de Deus e o espírito deste Pacto.

O Senhor nos abençoe e nos proteja para que sejamos fiéis e sinceros até a morte.

 

 

 Lisboa, 25 de Janeiro de 2014.