Volume ou Verdade

Impressiona-me sempre a reacção da multidão, no versículo 14 do capítulo 15 do evangelho de Marcos, quando Pilatos lhes pergunta por que razão querem crucificar Jesus e que crimes é que ele cometeu. Gritam mais alto, pedindo o mesmo que já tinham pedido antes: que Pilatos o crucifique.
Quando resolvemos fazer o mal, geralmente é assim. Reagimos à oposição com volume em vez de verdade. Desconfiamos que não vamos conseguir justificar o mal que queremos fazer e, por isso, gritamos com mais força para abafar as vozes que nos podem mudar os planos.
Não por acaso a nossa referência de pessoas humildes passa muitas vezes por uma pessoa que não tenta ganhar posição pela força ou volume com que fala. Não por acaso, Jesus, momentos antes, escolheu o silêncio e poucas palavras para responder a Pilatos.
De um lado, a multidão grita. Do outro, Jesus está calado.
De um lado, o volume. Do outro, a verdade.
De um lado, a vontade de pecar. Do outro, o amor de sofrer o custo desse pecado.
Quando tiver vontade de levantar a voz, quero lembrar-me da multidão que a levantou para não ter de lidar com a verdade.
Quanto tiver vontade de subir o volume para conseguir levar a minha vontade de pecar até ao fim, quero lembrar-me de quem não disse uma palavra porque me amou até ao fim também.
[Texto de Manuel Ferreira]
