Dar Nomes Às Tempestades


Na ressaca do mau tempo que assolou o país, ouvi alguém comentar o facto curioso de se dar nomes às tempestades. Fiquei a pensar naquilo. Por que razão se atribui uma identidade a uma tempestade e, já agora, quem é o responsável por isso? Não foi preciso pesquisar muito para encontrar esta resposta do Instituto de Meteorologia do Reino Unido: “Nós fazêmo-lo porque funciona. Nomear tempestades facilita a comunicação do clima severo e oferece clareza.”

Tempestades são fenómenos confusos, incontroláveis e inesperados (cada vez menos, é verdade), e a nossa vida não é assim tão diferente. De um momento para o outro circunstâncias e estados de alma abatem-se sobre nós como verdadeiros temporais. Sentimos que o chão se abre sob os nossos pés, que uma onda gigante nos engole ou que um vento impetuoso nos empurra para longe. E não raras vezes a nossa resposta mais imediata é o medo, o descontrolo, o desespero—o que fazer?

Tenho-me apercebido cada vez mais de uma dinâmica perigosa: quanto menos me dedico a avaliar o que de errado há em mim, mais enredado me vejo nesse turbilhão. É um ciclo vicioso que não pode ser quebrado senão com o único instrumento apto a cortar e a discernir-nos—a palavra de Deus. Precisamos de um plano de acção, e talvez os profissionais da meteorologia sejam mesmo um bom exemplo na prática de dar nomes às tempestades.

Recordo uma história do Velho Testamento: só depois de a palavra de Deus, por intermédio do profeta da Natã, ter dado nome ao pecado horrendo de David é que ele se arrependeu (2 Samuel 12). Este confronto com a voz de Deus produziu uma das confissões mais famosas no Salmo 51, o que nos dá um princípio transformador: quando a palavra nos expõe, começamos a dar nome ao que tem estado escondido em nós.

É de Bíblia aberta e oração pronta que o Espírito Santo começa a clarear o que antes era confusão. Esta clareza é o próprio Jesus, que no nosso lugar entregou-se à maior confusão de todas, sendo nomeado maltido na cruz. Damos nome ao pior que há em nós porque Deus já nos nomeou seus filhos, amados em Cristo. E esse nome, nem a pior tempestade pode apagar.

[Texto de Filipe Sousa]





Volume ou Verdade

Impressiona-me sempre a reacção da multidão, no versículo 14 do capítulo 15 do evangelho de Marcos, quando Pilatos lhes pergunta por que razão querem crucificar Jesus e que crimes é que ele cometeu. Gritam mais alto, pedindo o mesmo que já tinham pedido antes: que Pilatos o crucifique.

Quando resolvemos fazer o mal, geralmente é assim. Reagimos à oposição com volume em vez de verdade. Desconfiamos que não vamos conseguir justificar o mal que queremos fazer e, por isso, gritamos com mais força para abafar as vozes que nos podem mudar os planos.

Não por acaso a nossa referência de pessoas humildes passa muitas vezes por uma pessoa que não tenta ganhar posição pela força ou volume com que fala. Não por acaso, Jesus, momentos antes, escolheu o silêncio e poucas palavras para responder a Pilatos.

De um lado, a multidão grita. Do outro, Jesus está calado.

De um lado, o volume. Do outro, a verdade.

De um lado, a vontade de pecar. Do outro, o amor de sofrer o custo desse pecado.

Quando tiver vontade de levantar a voz, quero lembrar-me da multidão que a levantou para não ter de lidar com a verdade.

Quanto tiver vontade de subir o volume para conseguir levar a minha vontade de pecar até ao fim, quero lembrar-me de quem não disse uma palavra porque me amou até ao fim também.

[Texto de Manuel Ferreira]

Memória: um ato espiritual

Algo que me chama atenção ao ler o Pentateuco — os primeiros cinco livros da Bíblia — é como ele valoriza a memória. Nas Escrituras, a memória não é apenas uma capacidade da mente, mas um ato espiritual, comunitário e teológico. A fé do povo de Deus é construída sobre a lembrança do que o Senhor fez; as festas e celebrações serviam como memoriais, para que as novas gerações conhecessem e aprendessem com os atos de Deus no passado.

Mas o que é a memória? De modo geral, ela está ligada ao passado: guarda, interpreta e dá sentido ao que já aconteceu. Através da memória, formamos nossa identidade, tanto como indivíduos quanto como comunidade.

Infelizmente, a nossa sociedade costuma olhar para o passado com certo desprezo. Por isso, muitas vezes tentamos reescrever a história por causa de descontentamentos. Quando isso acontece, tudo ao nosso redor é afetado: as novas gerações repetem os mesmos erros; trocamos a verdade pela conveniência; perdemos nossa base moral e cultural; esquecemos quem somos e de onde viemos.

No livro O Peregrino, de John Bunyan, o personagem Cristão é ajudado pela memória a vencer os desafios de sua caminhada. Em alguns momentos, seus erros do passado tentam condená-lo; porém, ele usa a memória para entender o presente e conseguir seguir em frente.

Como cristãos, devemos ver a memória como um “grande palácio interior, onde o ser humano encontra a si mesmo e a Deus”, como disse Agostinho. O cristão enxerga o passado, por meio da memória, como um instrumento da graça — é dela que vêm os fundamentos da vida de fé. A memória forma a teologia do cristão e se reflete em suas atitudes. A moral, a ética e o modo de viver de um cristão nascem da lembrança da obra de Jesus revelada nas Escrituras.

A memória está intimamente ligada ao coração. Quando Jesus disse “fazei isto em memória de mim”, na ceia antes de sua morte, convidou os cristãos a guardarem em seus corações este gesto que recorda sua entrega e morte — sinal do amor de Deus e expressão do perdão dos pecados.

[Texto de Newton César]

Salvação

Que grande bênção é receber de Deus a salvação, através de Jesus, que nos dá uma nova identidade. Cristo morreu para nos reconciliar com Deus e ressuscitou, cumprindo a sua palavra de que não nos deixaria sozinhos, mas prepararia para nós lugar.

A fé em Jesus produz nos crentes mudança de vida real e esperança no futuro que não se limita ao que vemos. Encontra-se no que sabemos que Jesus fez, faz e continuará a fazer por nós.

Por causa de Cristo, o meu pecado está totalmente perdoado, mas até que ele venha, é na igreja, na comunhão dos santos, no amor que recebo e que dou e no confronto das minhas limitações com as dos outros que posso reconhecer a soberania, graça e misericórdia de Deus.

Saber que Jesus está, no céu, assentado à direita de Deus Pai controlando todas as coisas, traz-me sempre temor e segurança. E a tudo isto, preciso responder com louvor.

Texto de Suelen Dias

Conhecer o amor de Deus

Quase um quarto da população mundial sente a solidão de perto. Num mundo de relacionamentos cada vez mais frios, qual o papel da igreja? Se por um lado não podemos romantizar a vida comunitária, por outro é na igreja que o verdadeiro romance de Cristo é revelado.

A unidade no corpo de Cristo é um dos assuntos que Paulo mais mastiga nas suas cartas. Aos Efésios escreve: “a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo.” (Efésios 3:18,19)

Conhecer o amor de Deus é uma capacidade que só Deus pode dar e é entre santos que esse poder atua. Mais do que uma construção social, é uma realidade espiritual que resulta da união mística entre Jesus e os que lhe pertencem (Efésios 4:4-6). Por isso, não combater a distância que nos separa dos outros coloca-os involuntariamente à margem do Deus que os ama… E deixa-nos aquém do amor que podíamos experimentar! Todos perdemos quando nos fechamos com medo de perder.

Num dos salmos de peregrinação de Israel (Sl 133), o povo cantava: “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” Viver em união coloca o “organismo” acima da “organização” e implica a harmonia e cooperação de uma morada diária em vez da mera coexistência num salão ao domingo. O texto prossegue com óleo a escorrer da cabeça aos pés do sumo-sacerdote, mostrando que (1) a comunhão entre irmãos é Espírito Santo em acção e não coaching na pregação, (2) que o conceito de unidade (corpo) é indissociável do conceito de autoridade (cabeça) e que (3) sem união enfraquece a identidade e mirra a adoração. Por fim, a vida comunitária é comparada às fontes que regam a terra e lhe dão vida para sempre, transcendendo as barreiras naturais que dividem o país (Hermom no norte e montes de Sião ao sul).

Porque a vida de Cristo nos foi dada, louvemo-lo dando a nossa vida uns aos outros. E até quem não crê verá o amor que nos salvou!

Texto de João Antunes

O mediador ansiado por Job

Job está deprimido, os filhos morreram, as riquezas desapareceram. Job sofre, o homem íntegro e justo, que temia a Deus e evitava fazer o mal, já desejou não ter nascido no capítulo 3. No mesmo capítulo diz ansiar pela morte que não vem. No capítulo 6, diz que as flechas do Todo-poderoso estão cravadas nele, que os terrores de Deus o assediam – se ao menos Deus o esmagasse.
Job deseja fim para a sua situação, a morte é um fim bom para a circunstância em que se encontra. Já te sentiste assim? A dor e a miséria afogam-nos. Job clama por libertação e a morte é a única libertação que antevê.
Job tem uma visão alta da santidade de Deus, ao mesmo tempo que despreza aquilo em que a sua vida se tornou (cap. 7). Dor, desesperança, infelicidade.
No capítulo 9, Job contrasta a sabedoria e o poder de Deus com a fraqueza e insignificância humanas. Job não vê inicialmente esperança para o homem, mas o capítulo termina em esperança para nós. Job anseia por um mediador entre homem e Deus, se existisse um árbitro entre Deus e homem, alguém que afastasse dele a vara de Deus, para que o seu terror não o assustasse!
Job ansiava por esse mediador, nós podemos ir até Ele. Aquele que afasta a ira de Deus já veio, morreu na cruz e sofreu a ira de Deus que nos estava destinada.
“Mataram o Cordeiro, ressuscitou o Leão/A morte nem a pedra conseguiram segurar/Em um trono de glória, exaltado Ele está” (Ele é – Eveny Braga)
Jesus veio para morrer, identificando-se connosco na sua encarnação, cumprindo a lei que não poderíamos cumprir e pagando o preço para que possamos estar sem medo perante Deus. Por Cristo posso me achegar a Deus como Pai, sou seu filho amado, resgatado e adoptado. Posso ir até Ele reconhecendo o seu grande amor, amor provado e enunciado em Cristo.
Que na dor, miséria e sofrimento não nos esqueçamos de Cristo, nosso sumo-sacerdote, que se compadece das nossas fraquezas!
Que a certeza do autor de Hebreus possa ser a nossa, Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno. (Hebreus 4:16)

Texto de Tiago Falcoeiras

Contracultural

A Páscoa acabou de passar, mas importa saber: passou por nós e fez cá dentro morada? A obra redentora de Jesus está a fazer minha vida ser realmente mudada?

Escolher o caminho que Cristo propõe é, certamente, dizer “não” a muitos e tantos outros caminhos. É, por vezes, mesmo entre pessoas próximas, sustentar decisões absolutamente sozinho.

É escolher o não-lugar do desconforto e quem, em sã consciência, prefere se desconfortar? É um chamado cortante pelo Espírito Santo ao coração, que nos ajuda em toda a situação, nele ter contente decisão.

Em um mundo onde a aparência de ser forte é estar em pé com eloquência diante dos holofotes, Jesus, o Criador de tudo que há (e mais do que podemos sequer pensar), o único que poderia realmente se enaltecer ou gabar, escolheu um não-lugar: em forma humana veio, se humilhou, morreu e ressuscitou para a nós vida eterna doar.

Quando o dono de todo o poder, porque é o próprio Poder em si, deixa como exemplo tal caminho contracultural, é bem provável que fique expresso, em seu legado, que o Evangelho é certa coisa bem desconfortável, extremamente surpreendente, chuta as estruturas da vida simplesmente casuísta e natural.

O conforto sobrenatural em Cristo pressupõe uma fé de confronto: dos meus naturais desejos, de tudo o que desvia da Palavra viva a nós deixada, das débeis tentativas de chegarmos até Deus com atitudes equivocadas, por força própria, mérito qualquer ou cumprimento de boas ações, não podemos em nós mesmos nos salvar. Em sua graça divina, ele escolheu vir até (e por) nós para que nele salvação pudéssemos alcançar.

A loucura do Evangelho é: um Deus que tudo pode, escolher nada ser para dar vida a alguém que nada pode, mas acha que em sua fraca força algo pode fazer. É a subversão da lógica do “fazeísmo”. É sair das amarras do cansaço do esforço próprio e descansar nos braços do Amor que é nome próprio, pois é o próprio e verdadeiro Amor.

A mais intrigante história de Amor, um convite em carta aberta à humanidade: enquanto há vida, há tempo de abraçar esse Amor que durará para sempre, de eternidade em eternidade.

Texto de Mariana de Salve

A matemática pascal e o fim das probabilidades.

Blaise Pascal construiu as probabilidades, mas as contas certas estão na matemática pascal.

1.⁠ ⁠Da humilhação à glorificação: ao longo do evangelho de Marcos, a tensão entre a expectativa dos homens e perspectiva de Deus não deixa de parte até os mais íntimos de Jesus. As multidões clamam por revolução, mas a resposta dos céus chega na contra-mão – o messias esperado viria de forma inesperada! Deu-se como servo sofredor em vez de gritar como um ditador. Provável?! Por isso, na sua humilhação somos chamado à glorificação – vamos?

2.⁠ ⁠Da cruz consumada à cruz continuada: nas palavras de Pedro no centro do evangelho (“Tu és o Cristo” Mc 8:29) lemos a verdade anunciada desde o começo (“Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” Mc 1:1). Pedro surge como o primeiro discípulo a reconhecer Jesus como o messias, para logo lhe confundir a missão com a vontade da nação. Quando Jesus prediz a sua morte, ele logo sugere um final diferente para a história. Mas em vez de encolher a cruz, Jesus amplia-a de tal modo que, em vez de exclusivamente sua, passaria a ser nossa! “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me” (Mc 8:34)! Mais do que uma relíquia do passado, a cruz passaria a ser o dia-a-dia dos cristãos! Provável?! O perdão consumado na cruz abriu-nos a porta a uma vida de santificação com a cruz às costas – vamos?

3.⁠ ⁠Da vida abdicada à vida resgatada: Em Marcos, esta dinâmica repete-se três vezes antes da Páscoa – Jesus conversa com os discípulos sobre a sua partida (capítulos 8, 9 e 10), os discípulos “desconversam” (vale a pena ler nas entrelinhas do texto como tentam fugir à cruz) e a quadratura do círculo acontece de pernas para o ar (8:35, 9:35 e 10:45). Provável?! A matemática do evangelho não obedece à lógica cartesiana. Em vez de viver com medo de perder, Jesus mostra-nos que não tem medo de ser prejudicado quem já foi resgatado – vamos?

Texto de João Antunes

A caridade como fruto da fé

Nesta caminhada para a Páscoa, temo-nos aprofundado em esvaziar-nos de nós mesmos para sermos cheios de Cristo. Deparamo-nos com a prática da caridade como meio que nos leva a satisfazer o coração em Jesus.
Não somos nós que inventamos as formas de amar. Enquanto cristãos, somos chamados a olhar para o princípio e o Verbo, conforme salientado em 2 João. A afeição cristã que se manifesta em caridade abençoa aqueles que precisam, conforme a Palavra de Deus, e não de acordo com o que julgamos ser melhor. Abençoar o outro com os bens que Deus nos deu, conforme as necessidades do próximo, é um exercício de esvaziamento de si, porque não é sobre nós. Este é o primeiro passo para que a caridade cresça como fruto da fé.
Não é a cultura que nos diz como devemos ser caridosos, nem somos nós que devemos decidir qual a necessidade do outro. Somos convocados a doar e abrir nossas carteiras à maneira de Deus. Fomos criados para agir conforme a vontade de Deus, pois ele sabe o que é melhor para nós.
A caridade também é um antídoto contra o engano e nos protege de nós mesmos. Quando João escreve sobre o amor fraternal, também fala sobre a verdade. “… rogo-te, não como escrevendo-te um novo mandamento, mas aquele mesmo que desde o princípio tivemos: que nos amemos uns aos outros.” (2 João 1:15). Logo a seguir, João menciona que muitos enganadores já passaram pelo mundo, alertando para que a afeição a Deus se revele em nós mediante o amor aos outros, e aqui temos a caridade como uma manifestação desse amor que na prática tem uma direção clara de Deus. Portanto, a caridade é mais que afeição, pois não é gerada em nós.
Como manifestação do amor de Deus, ela aprofunda nosso compromisso com a nossa comunidade de fé e nos fortalece enquanto igreja, protegendo-nos dos enganos externos enquanto amamos o outro conforme as necessidades que estão fora de nós mesmos. Tu és esvaziado para que o outro e tu sejam cheios daquele que entregou o próprio Filho para morrer por pecadores como eu e tu.

Texto de Sarah Oliveira

A cruz contra a cegueira

“Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás! Tu és para mim motivo de tropeço, pois não pensas nas coisas de Deus, mas, sim, nas que são dos homens.” (Mateus 16:23)

Quando Jesus diz que tem de morrer, Pedro diz que ele tem de ter pena de si próprio. Sempre que a morte de Jesus torna-se algo estranho para nós, ficamos prontos a tornar o Salvador numa mera projecção de nós mesmos. Ao não contemplarmos a cruz, ficamos cegos a olhar para dentro, incapazes de ver a nossa terrível necessidade de sermos reconciliados com Deus.

Para Pedro, não é possível que o Messias sofra e morra às mãos das autoridades judaicas. Este plano é inconcebível para quem tem planos humanos de domínio. De tal modo é assim que, no seu descaramento, Pedro nem se apercebe da promessa de ressurreição nas palavras do Mestre. Ao não contemplarmos a cruz, ficamos cegos no desejo de impormos sobre Jesus o nosso desejo de sair sempre por cima.

Pedro tenta Jesus com a mesma estratégia que Satanás usou no deserto—uma glória sem cruz. Ignorar a inevitabilidade da cruz é viver para uma salvação forjada, à moda de Satanás, que ignora o custo real e eterno da nossa ofensa contra Deus. Houve um preço a pagar e esse preço foi a morte do Filho de Deus. Ao não contemplarmos a cruz, colocamo-nos ao lado de Satanás e fechamos os olhos à nossa própria culpa.

A cegueira espiritual de Pedro é a mesma que alimentamos ao ignorarmos que o sacrifício de Jesus é o modelo prático que manifesta a sua salvação na nossa vida. A tentação de nos guiarmos pelas coisas dos homens vê-se no modo como evitamos o custo de sermos fiéis a Cristo. Quando isso acontece é como se, tal como Pedro, estivéssemos a sugerir a Jesus uma versão mais atraente de vivermos pela fé que não implique morrer diariamente para nós mesmos.

Mas na cruz encontramos a beleza paradoxal de sermos vencidos e quebrados, porque a aparente derrota de Jesus na cruz significou a maior vitória de todas—vida sobre a morte. Os nossos planos passam para segundo plano, porque Jesus passa a ser tudo para nós.

Texto de Filipe Sousa